Urbanismo Compacto vs. Urbanismo Disperso

Este post é a parte 2 do texto: Urbanismo sustentável: uma solução para a qualidade de vida das cidades

Tratando-se de um maior proveito do uso do solo, a urbanização densa permite uma maior taxa de construções de moradias e serviços por metro quadrado, mostrando melhor uso misto do solo. Isso reflete em uma menor área de cobertura impermeável e na preservação dos recursos naturais, sendo também necessário a implantação de sistemas de escoamento, armazenamento e tratamento de esgotos e seus poluentes. É também importante um destino separado de águas pluviais com valas de drenagem, áreas de biorretenção e biodigestores.

Por outro lado o urbanismo denso tende algumas vezes a apresentar menos áreas verdes e criar zonas de transição ou barreiras entre as edificações exigindo um investimento e atenção maior para contornar essas situações.

Cidades que estimulam a habitação em áreas suburbanas (urbanismo disperso), exigem maiores gastos com a construção e manutenção da infraestrutura por recobrir uma grande área com cobertura impermeável além de contribuir para a construção de edificações superdimensionadas para poucos indivíduos. O deslocamento diário para centros que disponibilizam maiores serviços (através de vias que favorecem o tráfego rápido de veículos) incentiva a compra e uso do transporte privado, o que desvaloriza e marginaliza  os pedestres. Para tratar questões ambientais e fazer uso do solo orientado aos recursos naturais, é preciso considerar a densidade construída e a densidade de ocupação.

Segundo FARR, Douglas (2013), questões ambientais precisam ser tratadas em diferentes escalas sendo estas:

  1. No zoneamento, que inclui o parcelamento do solo, o adensamento, o controle do uso do solo, a mobilidade, inclusive ciclovias e vias para pedestres, o controle de ocupação nas margens de cursos d’água etc;
  2. Nos códigos de edificações, com a orientação dos lotes e dos edifícios, forma, envoltória, tratamento do térreo para passeios permeáveis ao fluxo de pessoas e sombreamento, monitoramento do consumo de energia;
  3. No tratamento da paisagem como infraestrutura urbana (infraestrutura verde): tipo e densidade de vegetação, distribuição espacial, permeabilidade à água, espaços públicos conectados com boas opções de mobilidade para pessoas e etc.

Conclui-se que a circulação e o uso dos espaços de forma ativa e que disponibilizam o uso misto do solo, geram a conectividade e desenvolvem em seus habitantes o senso de lugar, criando uma cidade sustentável e inteligente.

Fonte: FARR, Douglas, 2013 – Urbanismo Sustentável: Desenho urbano com a natureza.

Foto: Sandro Leonel – http://sandroleonelfotografias.com

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