As ações provocadas pelo surgimento do capitalismo segundo David Harvey

O nascimento do capitalismo fez com que a humanidade e a natureza passagem por uma série de transformações, das quais algumas serão apresentadas logo abaixo.

O capitalismo promove a construção de grandes centro urbanos e produz mercadorias a fim de atender a necessidade do homem, de forma a envolvê-lo e torná-lo dependente do sistema. As ações do capitalismo induzem à conflitos e separações socioespaciais, as cidade tornam-se regidas por um poder centralizador no qual as leis controlam de forma dominante as massas e faz com que cada indivíduo perca o seu direito à liberdade. Nem todos os lugares são mais de livre acesso, o capitalismo provoca divisões no espaço, as informações tornam-se manipuladas e fazem surgir um padrão de comportamento ligado ao consumo.

Marx demonstra n’O Capital que o capitalismo é um grande processo initerrupto do desenvolvimento da produção mecanizada por meio da tecnologia.

A política do capitalismo está diretamente ligada à urbanização (considerado um fenômeno de classe) e depende da mobilização do capital excedente, que por sua vez é extraído de algum lugar que contém matéria-prima e propicie a produção lucrativa; e também extraído de alguém, mais precisamente a classe mais pobre.

A busca incessante por um terreno que propicie tamanha lucratividade e crescimento de capital provoca ações violentas. Se em algum momento ocorre queda na taxa de lucratividade, o mercado ajusta-se até encontrar uma solução rentável para si. Neste contexto, o trabalhador nem sempre encontra-se numa posição favorável.

A produção de mercadorias exigida pelo capitalismo reflete em um aceleramento cada vez maior no processo de fabricação de produtos em série e que deprecia cada vez mais a mão-de-obra, resultando na exploração da força de trabalho e que posteriormente perde o seu valor, gerando o desemprego subsequente.

O conceito do mais-valor, abordado n’O capital refere-se a intensificação da mecanização, gerando mercadorias a baixo custo e que tem como objetivo extrair o maior lucro possível, que segundo Marx, é uma tendência irreverssível do capitalismo, onde este tenta alargar cada vez mais a sua própria base.

Um dos fenômenos do capitalismo é a suburbanização e fez com que cidades como Los Angeles, podessem crescer combinando a força de trabalho com o capital. Para que isso fosse possível, o capital apoiou-se na classe trabalhadora e extraiu todo o potencial de mão-de-obra. Esse cenário de desigualdade e de exploração eclodiu em revoltas que marcaram, por exemplo, Paris no ano de 1848. Cidades como Nova York, Detroid, Dallas e Los Angeles em 1950 e 1970 também passaram pelo mesmo cenário.

Nessa época de revolta, o capital apoiava até certo ponto os trabalhadores com a construção de sindicatos, mas isso era somente válido para trabalhadores brancos.

A classe branca pode então deslocar-se para morar nos subúrbios e viver bem, dispondo de uma casa confortável e um carro. Enquanto isso os afro-americanos não tendo o mesmo direito, infelizmente ficaram à margem e em total exclusão.

No fim dos anos de 1960 surge uma crise onde a força do trabalho cai e as diferenças entre as classes tornam-se mais aparentes. A partir dos anos de 1970 os ricos encontravam-se cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. Até aí o capital já havia desarticulado a força de trabalho no centro das cidades (onde eram mais organizadas), como nos Estados Unidos, no qual a estratégia era retirar o poder da força de trabalho.

Depois dos anos 2000 observou-se que a quantidade de mercadorias produzidas não poderiam ficar paradas e as pessoas com menos recursos precisariam de crédito para compra-lás. Com a incersão do crédito pessoal o mercado abriu novos investimentos financeiros para o capital. As pessoas foram atraídas a investir no mercado de habitação de forma a completar a sua renda e criaram um novo consumismo onde a compra de imóveis acabou gerando um mercado imobiliário especulativo. A urbanização tornou-se a nova estratégia do capitalismo. O direito à cidade estava dominando cada vez mais a zona rural.

A construção de novos centros ou até mesmo a revitalização de áreas urbanas fizeram com que uma significativa parte da população sofresse grandes perdas nesse processo. A história da reconstrução de muitas ciadades como Paris, feita por Haussmann, tiveram cenários de despejos violentos de seus centros urbanos e que antes eram habitados por famílias mais simples.

As classes desassistidas sofrem até hoje opressões por parte do Estado, que preocupa-se em atender os interesses da classe de maior poder aquisitivo devido às influências desta junto ao capitalismo.

Surgem então as parcerias público-privadas tendo como foco atender apenas a parcela da população que faz grandes investimentos e movimenta significativas quantias de capital. Foram inúmeros os lugares em diversos países em que os pobres tiveram que abandonar as suas moradias pelo fato da área ter se transformado em alvo de grande interesse para aplicação de investimentos finaceiros e que permitiram uma maior cobrança da tributação territorial. Nota-se que o setor público aceita sempre o risco dessas ações, enquanto o privado detém a maior parte da taxa de lucro.

Os mega projetos construídos por essa nova política não têm como objetivo atender as reais necessidades da população, eles surgem e são alimentados apenas pela especulação. O capital cria uma forma insana de reprodução e lucro.

O sistema de mercado tira das pessoas o acesso e produz a desigualdade. O capital não sabe lidar com a real necessidade das pessoas, ele é o produtor de uma militarização no qual censura e oprime as pessoas de menor condição, assim como também as que tentam buscar uma forma de escapar desse controle. O capitalismo raciona os valores como a educação e é incapaz de construir moradias dignas e acessíveis para grande parte da população. O sistema de mercado produz a desigualdade e a pobreza, não possui interesse em construir cidades para pessoas e sim para o seu lucro infinito.

Em muitas cidades brasileiras pode-se observar que o processo de desenvolvimento de áreas beneficiam apenas parte da sociedade. O crescimento do setor imobiliário junto à urbanização atendem em sua grande maioria, edificações de alto padrão. O que na verdade ninguém conta é que para construção desses mega projetos, foram necessárias a remoção de inúmeras famílias que haviam se fixado no local primeiro, que quando não são realmtente expulsas do lugar, são vítimas de negociações e ressarcimentos enganosos.

Fonte: HARVEY, David, 2014, The Right to the City and Urban Resistance. https://www.youtube.com/watch?v=vjyLWMSZ2nY

Foto: Sandro Leonel (http://sandroleonelfotografias.com/trabalhos.html)

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