A formação das cidades chinesas no Extremo Oriente

O Extremo Oriente formado pela Índia, Indochina, China e as ilhas próximas, apresentam um território tropical e encontram-se isolados do resto da Ásia pela cadeia de montanhas do Himalaia. Através da canalização da água dos rios que saem direto das montanhas foi possível irrigar as planícies e cultivar o arroz.

A civilização urbana nessa área ocorreu um pouco mais tarde que a presente no Mediterrâneo e o Golfo Pérsico. Compreende a uma organização econômica rígida e que também favoreceu a formação dos Estados Unitários como no Egito, onde os excedentes também concentravam-se nas mãos dos soberanos.

A cidade cresce estabelecendo uma ligação que vai dos seus eixos de simetria aos pontos cardeais para conectar-se ao universo celeste. Os muros são erguidos de forma regular e os espaços nele inseridos desenvolvem-se de forma setorizada com funções religiosas ligadas ao culto cerimonial e às atividades civis.

A China apresenta regras urbanísticas e de construção ainda na era Chu (1050-250 a.C). Logo depois apresenta-se como um império unificado onde todos os costumes inclusive os culturais são transmitidos até a época moderna.

As cidades chinesas classificavam-se segundo o seu poder de grandeza em três categorias: tscheng, ji e tu. As regras para sua projeção estão descritas pelo literato Meng-Tsi (372-289 a.C.) e a unidade de medida urbanística é o li, em torno de 530 metros.

A casa, virada para uma rua de estrutura moderadamente larga, apresenta seus ambientes todos voltados para um ou mais pátios internos centrais de formato quadrangular ou retangular com a finalidade de aproveitar o uso e a  alternância entre a luz solar e a sombra, influentes nos recintos em sua volta. Eram constituídas de muros externos, cobertas de madeira e divisões internas feitas de tijolos. Estas divisões não possuiam a função de sustentação e podiam ser movidas de acordo com a necessidade de cada ambiente. Para a rua abriam-se algumas janelas altas pertencentes à ambientes secundários e as portas de entrada eram acessíveis habitualmente pelo sul.

Praticamente todas as edificações possuiam apenas um único pavimento favorecido pelas baixas densidades populacionais e que não passavam de 100 habitantes por hectare.

Fora da cidade, as casas chinesas encontram um cenário diferente onde a arquitetura abraça a natureza. Devido a isso, o conjunto de habitações como um todo, desvincula-se da regra geométrica e regular presente na cidade e mistura-se à topografia e o ao cenário natural. Essa arquitetura suburbana segue apenas duas normas: a liberdade informal da instalação paisagística (que influencia os jardins ingleses do século XVIII) e a regularidade e constância das esquadrias baseados no módulo planimétrico e altimétrico dos tatami (0,90 x 1,80).

Quanto aos palácios e edifícios destinados às cerimônias públicas, estes seguem um eixo de simetria que vai do norte ao sul.

A formação das cidades chinesas começam com o conceito de cidade-refúgio e eram capazes de acolher temporariamente pessoas de distritos próximos principalmente camponenes, já que era considerado um território fortemente ligado à produção agrícola, mas também era considerada residência estável da classe dirigente como os sacerdotes e os guerreiros.

A China era composta por dois cinturões de muros: o primeiro cervaca e delimitava a cidade e o segundo demarcava as áreas de hortas e pomares. Os cinturões variavam de acordo com as três categorias de cidade e dentro deles o terreno era geometricamente dividido em várias e pequenas parcelas rigorosamente dimensionadas.

As cidades chinesas são carregadas de significados unitários e simbólicos, imprimem no território espaços de multiplicidade regular e alternâncias irregulares apenas no subúrbio. A formação dos espaços internos que parecem previsíveis e apresentam uma regularidade pela própria geometria e imcorporação com os jardins paisagísticos são carregados de complexidade pela mescla da realização de atividades do cotidiano e a ligação com o ambiente cósmico. Desde o início procura a mediação e a harmonia nas relações entre o poder, a prosperidade e a virtude, consideradas primordiais.

 

Fonte:

BENEVOLO, Leonardo / História da Cidade, 2015

 

 

 

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