A ventilação natural como uma das possibilidades do conforto térmico em edifícios de escritórios

Sabe-se que os edifícios comerciais e residenciais nos anos 2000 já eram considerados responsáveis por cerca de 60% da taxa de emissão de gás carbônico lançada na atmosfera. A construção de edifícios no setor comercial sobretudo em regiões de clima quente são responsáveis pelo grande consumo de energia elétrica. Dado este fato, quais as soluções para a redução do consumo de energia em edifícios de escritório especialmente localizados em clima quente?

Através de estudos analíticos chegou-se a uma possibilidade de redução de até 75% da demanda energética para a climatização artificial em um escritório no Rio de Janeiro por exemplo, atentando-se aos seguintes fatores em sintonia: o sombreamento externo da edificação, a ventilação natural levando-se em consideração a alternância em determinados períodos do ano, a massa térmica exposta nos espaços internos e a configuração retangular (modelo convencional) do pavimento tipo por facilitar a ventilação cruzada.

O sombreamento é considerado como a principal estratégia complementar da ventialção natural mas é preciso atentar-se para não desencadear em outro problema como a falta da iluminação natural na edificação.

O aproveitamento do potencial de ventilação das edificações podem ser maximizados seguindo as orientações e as configurações da planta aliados à uma densidade de ocupação reduzida. É importante ficar atento ao calor gerado pelo uso e ocupação pois são capazes de aumentar a temperatura interna em um acréscimo de até 3 C° em relação a temperatura externa. Seguindo a relação entre a altura do pé-direito e a profundidade da planta, é possível que haja uma boa ventilação natural através da possibilidade de estratificação do ar no qual a massa aquecida mantém-se afastada da área útil do espaço.

Em alguns casos pode ser inevitável o uso de sistemas de climatizaçao artificial em regiões de clima quente em certos períodos do ano onde o calor é extremo. Mas nem por isso deve-se construir uma arquitetura convencional e comercial que é a velha caixa de vidro hermeticamente selada. O edifício passivo é uma idéia em que pode-se fazer o uso de estratégias que respondam apenas em algumas épocas do ano onde o clima é considerado ameno e a outra parte do ano utiliza a climatização artificial. A própria ventilação noturna ajuda no resfriamento dos ambientes internos e durante o dia facilita na diminuição da carga térmica a ser retirada pelo sistema de refrigeração. Edifícios completamente fechados e que utilizam o ar-condicionado sofrem uma sobrecarga desnecessária antes mesmo de sua ocupação no período da manhã devido as cargas de energia acumuladas internamente e geradas ainda no dia anterior e que tiveram sido impedidadas de escapar pela envoltória isolativa.

Uma das barreiras para a adoção do uso da ventilação natural em alguns lugares ainda deve-se ao peso cultural e a imagem que se associa de que o ambiente climatizado artificialmente é sinônimo de sofisticação.

A ventilação natural também é comprometida em cidades onde há a baixa qualidade do ar e ruídos excessivos produzidos por veículos automotores. Por enquanto pode-se focar apenas em duas únicas soluções para a qualidade do ar e do ruído que seria a substituição do veículo tradicional e que usa o petróleo pelo uso do carro elétrico e o transporte público.

É claro que não é tão simples assim apresentar essas duas soluções já que estas envolvem decisões que modificariam alguns dos vários costumes praticados pelas pessoas diariamente assim como a necessidade de transformação e revitalização de algumas áreas para assim encoragar outras formas limpas de locomoção onde essas e outras ações poderiam realmente transformar para melhor um lugar. A qualidade do ambiente urbano pode ser discutida com mais cautela em um outro momento.

Em regiões que possuem temperatura amena a maioria dos usuários de edifícios de escritórios preferem e apreciam o contato direto com o ambiente externo pelo menos em certas épocas do ano.

A idéia de um modelo adaptativo de conforto térmico necessita de uma mudança de valores culturais abrindo possibilidades para estudos e outras formas de se ter um ambiente confortável e que desfrute da luz natural e do clima.

A ventilação natural é um tema a ser debatido constantemente com a criação de novos projetos. É mais do que simplesmente abrir janelas e está intimamente ligada a uma arquitetura diferenciada e que foge da forma convencional e tão comercializada. Este é sem dúvidas um recurso fundamental no projeto arquitetônico capaz de melhorar o potencial de desempenho e possibilitar às pessoas uma melhor adaptação às variações de temperatura.

Daí se pensa, mas o que necessariamente faz uma edificação ser diferenciada? A forma deve ser questionada a ponto de abrir um vasto campo de possibilidades adaptativas, ou seja, o projeto deve oferecer flexibilidade de resposta às variações climáticas. Além disso a criação dos espaços internos devem ter um fundamento lógico tendo-se consciência da eficiência do espaço. Para o uso da ventilação natural nos edifícios de escritório é preciso entender os limites do conforto térmico acrescido do conhecimento das condições climáticas local e dos padrões culturais de adaptação.

Fonte: Edifício Ambiental / Joana Carlas Soares ; Gonçalves, Klaus Bode et. al.

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