O surgimento de Florença e a sua contribuição no mundo das artes

A colônia Romana de Florentia foi fundada em 59 a.C. na confluência do rio Arno com a torrente Mugnone. A cidade inicialmente desenvolve-se em uma planície quadrangular e segue orientações espaciais segundo os pontos cardeais, mas logo obtém o formato retangular devido o seu crescimento populacional.

Após várias guerras e sucessivas invasões, os bizantinos levantam o primeiro cinturão de muros em volta apenas da parte central da cidade. Após os bizantinos, outras nações dominaram Florença em diferentes épocas mas aqui será dada maior ênfase à algumas edificações que foram realizadas em certos períodos da história, como a construção do Batistério de São João sob o domínio dos longobardos ou lombardos ( povo germânico originário da Europa Setentrional).

Existente até os dias atuais, o Batistério de Florença teve suas obras iniciadas por volta do século IV e foi reconstruído várias vezes até ter sido consagrado no dia 6 de Novembro de 1059 pelo Papa Nicolau II.

Possui formato octagonal fazendo parte de sua composição mármores brancos e verdes e traços característicos da arquitetura romana do período florentino. É famosa por seus mosaicos bem elaborados presentes na abside e na cúpula, feitos através da colaboração dos famosos pintores italianos Coppo di Marcovaldo e Cenni di Petro Cimabue; como também pelas portas feitas em bronze e dourado e que simbolizam a bíblia ilustrada devido à representação das Histórias do Antigo Testamento (Porta Leste), Histórias de S. João Baptista (Porta Sul) e o Novo Testamento (Porta Norte) e que tiveram criação através do trabalho de artistas renomados sendo estes Filippo Brunelleschi, Ghiberti e Andrea Pisano.

No período carolíngio, Florença volta a crescer chegando a atingir 5 mil habitantes (no período de batalhas a cidade havia sido reduzida para mil habitantes) e é construído o segundo cinturão de muros que abrange a parte meridional do retângulo romano e o triângulo para o lado do rio Arno e este ganha também uma nova ponte após a romana ter sido destruída.

No século XI Florença continua a expandir-se e isto inclui novamente a ampliação de seus muros que passam a incluir a zona do Batistério. O espaço urbano desenvolve-se rapidamente e torna-se um dos mais importantes centros econômicos da Europa com destaque para a produção de tecidos de lã. Os espaços e edificações públicas, como a Igreja Dos Santos Apóstolos, seguem um padrão estilístico com a simplificação das formas geométricas. Estas obras públicas juntamente com as edificações privadas, em sua maioria casas altas e aparelhadas com torres, definem, limitam e compactam as ruas. As casas-torres como assim são chamadas, possuem varanda que dão para a àrea externa (as ruas) e os demais cômodos voltam-se para um pátio interno.

No que diz respeito ao crescimento da economia e desenvolvimento da indústria, nascem inúmeras associações corporativas como a antiga Arte dos Mercadores (1206); a Arte do Câmbio (1202); a Arte da Lã (1218) dentre outros. Os ofícios mais pobres juntos formaram as Artes Menores.

Com o decorrer dos anos, assim como cresceu o número de cinturões em volta da cidade, o rio Arno recebe mais três pontes chamadas de Ponte da Carraia em 1218, Ponte das Graças em 1237 e a Ponte de Santa Trinitá em 1252. Vários conventos se estabeleceram pela cidade e anunciavam suas pregações em praças públicas sob os cuidados das autoridades municipais da época. Com a ajuda dessas ordens, no qual podemos incluir os franciscanos, os carmelitas, os dominicanos, os servitas e os agostinianos juntamente com algumas instituições particulares, formaram peças importantes no desenvolvimento de Florença pois contribuíram para a construção de inúmeros hospitais.

A partir de 1255 inicia-se a construção do Palácio do Capitão do Povo e que teria o objetivo de representar a população em suas reivindicações contra a república. A construção do edifício que conta com arcadas, pátio interno e uma torre marcante, passou por alguns períodos conturbados e como consequência disso, a edificação sofreu danos que exigiram vários processos restaurativos. Em 1260, o palácio tornou-se sede da Potestade, ao representar o Imperador Manfredi sendo nomeado Palazzo del Podestà. Marcante por sua torre de perfil, com o passar dos anos parte do palácio foi utilizado como uma prisão e lugar de tortura que perdurou até meados do século XIX mas que fora abolido pelo Grão-Duque Pietro Leopoldo. O Palazzo del Bargello (assim passou a ser chamado) é uma das edificações mais antigas de Florença e foi consagrado Museu Nacional do Bargello em 1865, abrigando importantes esculturas do Renascimento dentre as quais algumas obras de Donatello, Luca della Robbia, Michelangelo, Verrocchio e de Cellini.

O crescimento de Florença através do desenvolvimento da economia, do aumento populacional e da inserção de novas edificações, exige da cidade a implementação de um plano regulador. O trabalho de intervenção foi realizado pelo projetista e arquiteto Arnolfo di Cambio juntamente com a participação de algumas magistraturas da cidade, ordens religiosas e corporações.

Em 1285, após a demolição de uma edificação em frente ao Batistério de São João, inicia-se a construção de uma grande catedral dedicada a Santa Maria del Fiore e que prevalece até os dias atuais.

A catedral localizada na Praça do Duomo de Florença, teve seus trabalhos iniciais realizados pelo Arnolfo di Cambio e continuada por Giotto onde este foi responsável pela execução da torre campanária. A famosa catedral conta com uma nave central, duas laterais e uma abside posterior. Os artistas enriqueceram a catedral com uma composição ainda ligada ao estilo romano implementando também o mármore vermelho de Siena, o branco de Carrara e o verde de Prato, que se fazem presentes em algumas outras edificações de Florença. Participaram da execução do Duomo (sede da arquidiocese hoje) os ourives Lorenzo Ghiberti e o escultor Filippo Brunelleschi. Considerada uma das maiores igrejas do cristianismo, a Catedral de Santa Maria del Fiore é marcada como símbolo da riqueza e poder da cidade em meados do século XVIII e XIX.

Vária outras edificações foram compondo o cenário da cidade como a Igreja de Santa Maria Novella, construída em 1278, e devido à essas e outras magníficas obras, Florença é considerada um importante centro da cultura italiana. Foi um período de expressão e imaginação onde os artistas externaram suas emoções e idéias compondo obras com riqueza de detalhes e que marcaram o período da arquitetura Renascentista italiana. Em contraposição a isso, Florença também passou por cenários difíceis como a epidemia de 1348 e logo em seguida a crise econômica européia, mas que não a impediu de propagar seu valor e a sua imensurável contribuição cultural para o mundo.

Fontes:

http://www.museusdeflorenca.com

https://www.florence-tickets.com/br

https://www.florence-museum.com/br

BENEVOLO, Leonardo / História da Cidade, 2015.

 

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