Arquitetura: Essência, Sentimento e Composição

O processo de criação de um edifício me impressiona pelo fato de não estar relacionado apenas à racionalidade e uma série de normas técnicas. Ele envolve o sentimento, a essência dos materiais e como devem ser cuidadosamente selecionados e trabalhados, para juntos darem um sentido concreto e real ao que antes era apenas uma idéia e que passa a abraçar um contexto cultural e histórico, fazendo parte de um cenário e do mundo real. A impressão que tenho da Arquitetura ser um processo sensível e estar tão intimamente ligado à essência humana afirmou-se ainda mais, após ter o prazer de ler uma das obras literárias do arquiteto suíço Peter Zumthor.

O objeto arquitetônico, quando inserido em um contexto significativo, pode assumir uma qualidade poética. Essa linguagem e expressão ancoram-se à nossa realidade através das regras de composição, da tangibilidade, uso e sentido que atrelamos à escolha dos materiais envolvendo ainda a nossa percepção e os nossos sentidos. Assim como a música clássica, a arquitetura é uma construção e uma arte de um todo composta por elementos distintos que apresentam um sentido e expressam um sentimento. É um todo significativo que apresenta inúmeros detalhes.

A Arquitetura tendo relação tão especial com a nossa vida, faz da obra um elemento expressivo e com a sua própria voz. O processo criativo e o esforço de representar da melhor forma possível um sentimento sublime em meio à razão, concebe a materializa um edifício que já nasce com desejo de presença e de exercer o papel para o qual se destina. O desenho deve assumir a qualidade do objeto a que tanto o autor anseia durante o processo de criação.

A qualidade de um edifício é determinada também pela qualidade das junções dos materiais. A Arquitetura tem como desafio desenvolver e lidar com uma série de conjuntos que envolvem detalhes, funções, formas, materiais e dimensões. A maneira como essas partes são trabalhadas e postas em conjunto irão expressar a essência ou o que a idéia básica do projeto exige podendo ser leveza ou tensão, fragilidade ou presença…

Um objeto arquitetônico tem o poder de despertar as nossas emoções principalmente quando o notamos pela primeira vez. Algo dentro de nós nos move. Eles levam a compreensão de um todo no qual a nossa atenção é atraída pelo deslumbramento ou até mesmo pela desarmonia e fragmentação que a obra venha a manifestar. O edifício materializado torna-se vivo e independente, ele pode transmitir uma mensagem através dos detalhes de seus elementos e que podemos absorver e interpretar como a calma que nos entorpece. Mas também utilizam de sinais capazes de despertar a curiosidade, simbolizar inquietude e confusão. A presença dos edifícios firmemente ancorados ao chão, evidentes no seu entorno e sendo donos de seu próprio reino, possuem um diálogo significativo conosco e que nos fazem apaixonar-se naturalmente pelo seu significado e o poder de fazer parte da história. Posso afirmar que a obra de arquitetura é a materialização da história e a representação cultural de um povo que se torna enraizada não somente ao chão e solidificada, mas também permeia entre o passado e nosso presente estabelecendo conexões e mostrando a importância da lembrança e da memória.

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