Como a minha cidade pode se tornar uma Cidade Inteligente e Sustentável?

Primeiramente, o que é uma Cidade Inteligente?

A cidade Inteligente e Sustentável (esses dois nomes devem andar juntos para que uma cidade funcione)  usa tecnologias da informação e comunicação para melhorar a qualidade de vida incluindo a eficiência das operações urbanas, os serviços, os aspectos ambientais e econômicos, os aspectos sociais e culturais atendendo as necessidades das gerações presentes e das gerações futuras.

Como a tecnologia da informação pode dar suporte ao nosso cotidiano vivendo nas grandes cidades?

A chave para essa resposta é a percepção que devemos ter dos inúmeros processos que ocorrem no ambiente complexo e dinâmico da cidade, como o consumo de energia das edificações .

Os dados, as informações e o conhecimento são extremamente necessários para a existência das Cidades Inteligentes e embora sejam de natureza abstrata, eles são capazes de dar suporte na gestão das edificações e cidades através da transformação dos dados em informações e por fim em conhecimento, e isso certamente é de extrema relevância para as culturas e sociedades. A Arquitetura da Informação, como assim podemos chamar, utiliza toda essa estrutura abstrata e ajuda a formalizar os princípios de design possibilitando o nascimento de uma arquitetura física, palpável e que preenche os espaços em prol dos habitantes.

Então a Cidade Inteligente funciona como um grande centro de coleta, armazenamento e transformação de dados em informação e essa informação se transforma em conhecimento para assim construirmos espaços saudáveis que irão beneficiar a população, o meio ambiente e todas as outras relações existentes dentro do espaço urbano.

A cidade inteligente é considerada uma virtualização da cidade?

Sim, quando utilizamos a Arquitetura da Informação (dados, informações e o conhecimento) juntamente a instrumentos a fim de melhorar a habitabilidade e sustentabilidade. Vale ressaltar que o foco dessa virtualização é sempre a qualidade de vida de nós seres humanos em harmonia com o meio ambiente utilizando uma infraestrutura adequada. E como as cidades sofrem transformações espaciais e econômicas o tempo todo, se faz necessário o estudo de simulações de modelos de cidades para se entender o caminho que essas transformações podem seguir e quais serão os desafios que devemos encarar. Isso tudo engloba questões como transporte e mobilidade, qual o planejamento territorial e urbano deve ser tomado incluindo as variações de densidade urbana e as mudanças no valor da terra. Todos esses aspectos devem ser considerados quando se trata de Cidades Inteligentes e Sustentáveis.

Se fala bastante em tecnologia mas vale salientar que a Cidade Inteligente não existe sem a Habitabilidade e a Sustentabilidade.

Habitabilidade é referente a qualidade do que se pode habitar. E isso é mensurar o nível de verticalização das cidades, a qualidade das habitações, se existe e qual o número de assentamentos habitacionais precários e como anda o nível de urbanização em volta dessas edificações…Quais serviços e equipamentos estão disponíveis para a comunidade e a localização destes. 

A Sustentabilidade irá propor diretrizes ligadas a uma responsabilidade ambiental e cultural de modo a integrar os sistemas naturais com o sistema humano. Ambos convivendo em harmonia.

Quais instrumentos podem ser adotados nos centros urbanos para se obter dados e informação?

O primeiro passo é a instalação de sensores urbanos e que podem ser distribuídos por diversas áreas em que a coleta de dados é mais difícil, como em avenidas movimentadas para se ter noção do volume de tráfego de veículos e pessoas. Outros exemplos são os  sensores de temperatura nessas áreas pavimentadas que geram ilhas de calor afetando diretamente o meio urbano e o meio ambiente. Também temos sensores para saber níveis de poluição, ruído e níveis de umidade. Outro exemplo existente e bastante utilizado é o de informar aos cidadãos a disponibilidade de vagas de estacionamento de veículos distribuídos pelas ruas da cidade e que podem ser acessados através de aplicativos instalados em dispositivos móveis (smartphones).

Exemplos de lugares em que o uso da tecnologia é em prol da melhoria da qualidade de vida e que pode-se citar é o caso de Cingapura e Londres. Estas duas cidades cobram uma tarifa rodoviária na intenção de reduzir o congestionamento e poluição do ar durante os horários de pico de tráfego de veículos. Já aqui nos Estados Unidos, especificamente no Estado da Califórnia que é onde eu exploro mais o ambiente urbano, temos o chamado “Carpool” que corresponde a faixas de trânsito para veículos a combustão mas que pode-se trafegar contendo duas ou mais pessoas ou veículos elétricos. 

Outro exemplo de como a Arquitetura Virtual atua de forma eficiente são as notificações de alerta que recebemos através dos nossos smartphones aqui no estado da Califórnia quando temos alguém desaparecido, um veículo roubado, focos de incêndio ou alerta de altas temperaturas e baixos níveis de umidade que estão por vir. 

Quais impactos a instalação de todos esses dispositivos em espaços públicos podem causar na vida dos habitantes?

A instalação de todos esses sensores e câmeras certamente mudam o comportamento de muitas pessoas. Algumas irão se sentir invadidas, mais do que outras. Ao conversar com algumas pessoas que são a favor do uso dessas tecnologias as mesmas relatam a sensação de segurança que possuem ao ter todos esses espaços monitorados. Câmeras em postes e iluminação que ativa através de sensores de movimento, por exemplo, as deixam mais confiantes ao andar sozinhas à noite. Eu mesma me sinto mais confortável a fazer uma caminhada depois das dez da noite pelo bairro. O mesmo vale  para estacionar o carro, nos sentimos mais confortáveis em sair e voltar para o veículo estando em áreas iluminadas e  monitoradas por pessoas ou dispositivos de segurança.

Como já falado, a Cidade Inteligente não se limita a aplicativos. Ela é toda uma rede conecta onde há carros inteligentes, edificações inteligentes, ruas, calçadas e uma infraestrutura  adequada aos habitantes e por assim dizer, inteligente. Todos esses sistemas são importantes para que tenhamos qualidade de vida, segurança e façamos parte de uma cidade sustentável. 

Como cidadão, qual o nosso papel na construção das cidades inteligentes?

Agora, olhando pela perspectiva social, trazer pessoas para debate de questões que envolvem o design urbano e saber de nós usuários da cidade sobre como anda o funcionamento dos espaços, é fundamental. A Inteligência Coletiva é capaz de trazer soluções assertivas e que impactam diretamente e de forma positiva na habitabilidade.

Disponibilizar ferramentas em que os cidadãos possam contribuir com dados e materiais virtuais ajudam na criação de novos espaços ou desenvolvimento e recuperação de áreas que foram mal elaboradas ou caíram em desuso por inúmeros motivos. Ouvir a população é essencial pois somente o processo democrático é que leva à melhoria da cidade.

Quais os exemplos de cidades que utilizam a participação coletiva na criação e implantação de projetos em espaços públicos?

Aqui no Vale do Silício uma delas é a cidade de San Francisco. A participação dos habitantes é importante e ativa e os projetos que trarão interferências diretas sobre a comunidade são apresentados e analisados. Claro que nem sempre essas mudanças são acolhidas de forma positiva, por isso a importância de se ter debate e levantar discussões a fim de tentar se chegar a melhores soluções e amenizar os impactos causados por novas mudanças como o aumento do trânsito com a implantação de grandes equipamentos/empreendimentos e a crescente valorização do mercado imobiliário. (O que preocupam os moradores locais e mais antigos.)

O uso de aplicativos nos smartphones ajudam também as pessoas a reportarem a experiência delas pela cidade. Quando a nossa opinião como cidadão ativo é levada em consideração, o design e a arquitetura passa a fazer mais sentido e torna a nossa experiência dentro da cidade agradável e harmoniosa. 

Porque a ciência projetada pelo cidadão é importante para a Cidade Inteligente?

A Ciência Cidadã nada mais é do que a nossa participação como cidadão e pessoa comum em pesquisas científicas sob a orientação de cientistas. É muito importante estarmos envolvidos na  concepção e gestão da cidade. A sabedoria de um grupo não treinado às vezes chega a uma conclusão semelhante ou melhor do que o próprio cientista, pois a cognição humana e a experiência de usuário trazem resultados eficientes na construção das cidades. As cidades não são construídas por arquitetos, planejadores urbanos e governança apenas, mas sim por muitas pessoas!  A Cidade Inteligente engloba então a Ciência do Design Urbano, a Ciência do Cidadão e o Desenho Urbano.

Acredito que a melhor forma de melhorarmos a cidade em que vivemos é adquirindo e compartilhando o nosso conhecimento com as demais pessoas. A tecnologia que surge deve ser a nosso favor e a fim de se construir espaços saudáveis que nos aproximem como pessoas e possa despertar nas novas gerações o respeito, paixão e zelo para cuidar do que é nosso em comum, a nossa cidade! O conhecimento sem espírito de comunidade não é nada. 

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